Vendo o primeiro significado do nome, temos "Estatura baixa". Assim é o pequenino Pablo, um menino de dez anos com uma história sei que bastante corriqueira em qualquer lugar do nosso país, mas que Deus resolveu que eu deveria conhecer de perto ontem a noite.
Antes devo falar como fui levado a cruzar o caminho de Pablo. Estou de dieta há três meses, já perdi sete quilos, o que comemoro bastante. Ontem à noite, quando estava no escritório, senti uma fome e um desejo de comer um cachorro-quente e fui a uma boa lanchonete, bem freqüentada na área da lagoa, onde eu poderia chegar a pé.
Havia caído uma forte chuva assim que cheguei ao estabelecimento. Pedi o tão desejado lanche. Então chega ao local um menino molhado, que andava invisível entre as mesas, pedindo que alguém comprasse um dos chocolates que ele vendia. Bairro nobre, talvez fosse esperado por ele vender alguma coisa, mas isto não aconteceu, e assim chegou a minha vez. Complicado dizer isso, mas esta situação é tão comum que nossa primeira reação é tentar despachar o transeunte, e eu não sou nenhum grande exemplo de samaritano: – não amigo, hoje estou só no cartão, estou sem trocados! – disse eu, olhando para os chocolates que já estavam moles. – Então o senhor pode comprar um lanche pra mim? Ainda não almocei hoje...
Depois que você é pai, é inevitável fazer a comparação de vidas, e meu coração se esfacelou na mesma hora. Sei que pelos padrões religiosos, de freqüentar igreja, rezar e tudo mais, poderiam até dizer de mim que eu vivo longe de Deus, mas eu não tenho a menor dúvida de que foi Ele que me motivou a ir aquele lugar, pois comer um cachorro-quente pra mim era sair do regime, mas a fome que precisava ser saciada não era a minha, Ele sabe que eu pagaria o lanche ao menino.
– Senta aí! – disse ao garoto apontando para uma das cadeiras da minha mesa, mas ele resolveu sentar em outra mesa logo ao lado e respeitei sua defensiva, assim chamei a garçonete, a mesma que já havia me atendido antes, pedi o mesmo cachorro-quente que já havia pedido, e o refrigerante deixei a escolha dele que optou por uma coca-cola. Vi um sorriso no rosto da funcionária, ainda assim preferi esperar ele terminar de comer para finalmente ir embora e garantir que ele comeria como qualquer um que ali estava.
Calado e surpreso, ele ficou de costas esperando. Perguntei seu nome e ele disse: – Pablo. Eu querendo saber mais sobre o Pablo fui fazendo perguntas e assim iniciamos uma conversa. Ele havia me dito que era o filho do meio e que tinha quatro irmãos. São dois irmãos bem pequenos, outro de dezesseis anos e a mais velha que trabalhava de diarista. Morava com eles, a mãe e o padrasto. Vivem com uma renda de pouco mais de quatrocentos reais do padrasto cuja metade fica só com o aluguel da casa. A irmã diarista, gasta todo seu dinheiro consigo mesma e o de dezesseis anos o Pablo disse que não quer nada com a vida e só arruma problemas. O pequenino estuda pela manhã, e é com o dinheiro da venda dos chocolates que ele compra material escolar. O problema é que pra começar a vender a sua caixa de bombons, precisa primeiro pedir dinheiro na rua, entretanto a maioria das pessoas pensa que é para ele cheirar cola.
Tão pequeno e tão cheio de iniciativa. Não há zona de conforto, não há porto seguro, foi o que ele me fez refletir. Ou faz assim, ou não tem a chance de mudar seu destino. Me arrependo de não ter deixado meu número de telefone para o caso do garoto precisar de mais alguma ajuda. Agora, não sei como será o restante da história de Pablo, mas como foi Deus que através de mim lhe deu comida, significa que ele não poderia estar em melhor companhia, desta forma tenho fé de um dia vê-lo brilhando por aí no meio de tantas trevas.

2 comentários:
O que poucos fazem acaba por atrapalhar o que muitos precisam!(em relação a não dar dinheiro, cheirar cola e essas coisas)
O que dá mais raiva é esse bando de safado roubando milhões e crianças indefesas que só querem um pouco para comer ficam impossibilitadas de fazê-lo.
Quem sabe tu se encontra com Pablo de novo. ^^
E foi Deus sim que te fez ir lá.
Bjos Marcos
Realmente as histórias se parecem e vc escreve muito bem...Mil bjs
Postar um comentário